Sinto-a na lua quando tudo se cala
Mas não sinto a voz quando se fala
Justo por esta montanha tudo se
escala
Nunca percebi a distância real que nos cola
Rosa do meu quintal vermelho sem
cor
Ouço-a na caverna da minha alma sem
dor
Saltando no batimento cardíaco sem
compor
A resistência lúcida e móvel sem
recompor
Note ladar
As minhas vertigens na crua saudade
Revoltadas no oceano desta
crueldade
Onde matou-se toda escuridão na
velocidade
E embriagou-se a taça do amor de
verdade
Quando apanhar esta gota vou andar
e reter
Na pulsação desta míngua que estou
a antever
No lacrimejo interior da máquina de
entreter
A emoção virgem e muda no som de
prever
Note
ladar
Minha borboleta lenta, Aurora
Encontrada na febre dos passos
desta flora
Corra paulatinamente até chegares
na demora
Namoras? onde guardaste os meus
beijos, no Sara?
Hei de buscar lentamente no coração
da escura
Quando a rosa muda revelar a sua
cura
Juro por esta letra mariposa pousa
na lira
Liricamente esquece que ainda posso
ser tira
Mesmo
assim Note ladar
Cigarra ah, sei lá se es cara farra
Ou se es borboleta rara Sara
Mariposa nesta noite quero mbora
Na lua e chama do mel do neta letra
Luena, aos 22 de janeiro de 2021
Autor: Luciano L. Kachipa ( Poeta Sintonia)
Luena aos 15 de setembro de 2019 domingo, 15h:01min

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